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Tantas vezes campeão

Por Gabriel Ferreira Borges

11/06/2019 às 07h13 - Atualizada 10/06/2019 às 21h21

O advogado Mário Bittencourt e o médico Celso Barros estão de volta às Laranjeiras. Presidente e vice, respectivamente, da chapa “Tantas vezes campeão”, ambos tomaram posse na segunda-feira (10). Concorrentes no pleito de 2016, ocasião em que o ex-presidente Pedro Abad fora eleito, Mário e Celso fizeram oposição à corrente Flusócio, situação nas Laranjeiras desde a eleição de Peter Siemsen, em 2010. Desde a articulação da chapa eleita, o sucesso eleitoral mostrava-se iminente. Entretanto, ainda que Mário e Celso mobilizem a memória afetiva dos tricolores, a fórmula dos gloriosos anos recentes é arcaica.

Fiador do expressivo aporte financeiro da Unimed, entre 1999 e 2015, ao Fluminense, Celso fora um dos principais quadros do futebol nos títulos nacionais de 2010 e 2012, embora não exercesse função alguma. A cooperativa médica, contudo, investia em direitos econômicos de jogadores, além de quitar, mensalmente, os direitos de imagens dos atletas mais renomados. Já Bittencourt é conhecido, nacionalmente, por representar o clube no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após o Campeonato Brasileiro de 2013. Na ocasião, o Fluminense escapara do rebaixamento após punição à Portuguesa por escalar irregularmente um jogador.

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Mas o cenário político a ser encontrado por Mário e Celso é delicado. O pleito em que se elegeram, por exemplo, foi extraordinário; o desgaste do capital político de Abad e, por consequência, do Flusócio, fez com que as eleições fossem antecipadas em cinco meses. E, apesar de a chapa “Tantas vezes campeão” ter o direito a todas as 150 cadeiras do Conselho Deliberativo em razão do expressivo sucesso eleitoral, Mário e Celso enfrentarão fortes negociações com o órgão até dezembro, pois as eleições do colegiado não foram antecipadas. Apenas as cadeiras ociosas serão ocupadas por integrantes do grupo político vencedor desde já.

Parece-me razoável concluir que, ao contrário do que afirmara Peter Siemsen à época do fim da parceria de mecenato entre Fluminense e Unimed, o Tricolor não estava preparado para a ruptura. A transição é um concerto eterno; perdura há, pelo menos, cinco anos. O resultado do pleito do último fim de semana aponta o contraditório, o risível, diga-se. Celso, antes mecenas, retorna como um dos responsáveis pela reestruturação administrativa do Fluminense. E Mário, dissidente do Flusócio, foi um dos quadros da gestão Siemsen. As cordas políticas dos clubes tensionam à medida que também arrocham as relações políticas nacionais.

 

Gabriel Ferreira Borges

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