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Enfim, Vadão

Por Gabriel Ferreira Borges

23/07/2019 às 07h14 - Atualizada 22/07/2019 às 20h02

Vinte e nove dias após a eliminação da Seleção Brasileira, em Le Havre, França, da Copa do Mundo, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, decidiu-se pela destituição de Vadão do comando técnico do selecionado feminino. O desligamento do treinador de 62 anos é a primeira intervenção substantiva — tardia, certamente — de Caboclo na estrutura do futebol feminino na entidade. Entretanto, os rumos da própria Seleção, bem como as direções a serem tomadas pela modalidade no Brasil, dependerão das próximas escolhas da cúpula. A dispensa de Vadão era um ponto pacífico, pois.

Embora tenha acumulado passagens por clubes históricos do interior paulista como Mogi Mirim, Guarani e Ponte Preta, Vadão nunca fora um técnico da elite do futebol masculino. Aliás, as trajetórias do técnico e do futebol feminino entrelaçaram-se somente em 2014, ocasião em que assumira a Seleção pela primeira vez. O convite, por si só, fazia sentido apenas à precipitada lógica com a qual a modalidade é tratada. Profissionais com extensa trajetória no futebol masculino desconhecem dificuldades singulares ao futebol feminino, desde a estrutura para treinamentos à logística para viagens em torneios nacionais.

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A escolha de Marco Aurélio Cunha para a coordenação do futebol feminino é também sintomática; médico e ex-diretor de futebol, Marco Aurélio acumula trabalhos entre os homens. A duras penas, o futebol feminino desenvolve-se à parte das intervenções da CBF. As nomeações de Vadão e Marco Aurélio são evidências caricatas da negligência da confederação para com a modalidade. A título de exemplo, os melhores trabalhos do Campeonato Brasileiro feminino são de autoria de profissionais – Emily Lima, Arthur Elias, Jorge Barcellos, Ricardo Abrantes e Maurício Salgado – cujas carreiras são construídas junto à história da modalidade.

Os próximos movimentos de Caboclo denunciarão o projeto — ou sua ausência — da CBF para o futebol feminino. A escolha para o comando técnico da Seleção Brasileira deveria ser acompanhada de uma reestruturação na coordenação da modalidade; os Jogos Olímpicos de Tóquio não são o fim da rota. A Seleção sub-20 está sem treinador desde setembro de 2018. A sub-17, por sua vez, desde junho último. As oportunidades da confederação esgotam-se à medida que a competitividade da Seleção Brasileira restringe-se, cada vez mais, apenas à América do Sul.

Gabriel Ferreira Borges

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