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20 apresentar 20 álbuns de 1989 – Parte 2

Por Júlio Black

25/09/2019 às 07h15 - Atualizada 25/09/2019 às 07h17

Oi, gente.

Seguimos com a nossa série de álbuns clássicos lançados em 1989, e nesta semana resgatamos das brumas do tempo cinco discos bem diferentes entre si, mas que valem a pena ser ouvidos até hoje para quem gosta de boa música, independente do gênero.

Do hardcore ao pop, passando pela soul music, o grunge e o metal industrial, a nossa seleção de clássicos tem Ratos de Porão, Ministry, Elvis Costello, Soul II Soul e o Nirvana antes de colocar o mundo da música do avesso.

E vale lembrar que essa turminha está em nossa playlist do Spotify, “…E obrigado pelos peixes”, que já passou há tempos das mil músicas e mais de 80 horas de pura satisfação auditiva. Vai lá conferir e ser feliz.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

RATOS DE PORÃO, “BRASIL”
Há músicas que nunca envelhecem – ou que tornam-se novamente relevantes quando menos se espera -, e “Brasil”, quarto álbum do Ratos de Porão, está cheio delas. A começar pela mais que atual “Amazônia nunca mais”, num momento em que o bem mais valioso do país arde nas chamas da ganância, retrocesso, ignorância e contramão da História. Há outras gravadas em 1989 que poderiam muito bem ter sido pensadas em 2019 – e que nem precisam ser sobre política, como “Beber até morrer”. Mas “Lei do Silêncio”, “Farsa nacionalista” e “Porcos sanguinários” servem tanto para o Brasil de ontem quanto o de hoje.

O álbum tem outras canções que dialogam melhor com o passado, como “S.,O.S. País falido”, “Aids, Pop, Repressão”, “Retrocesso”, “Plano Furado II” e “Máquina militar”, mas nem por isso perderam o prazo de validade. Com o peso do punk e do hardcore, mais as letras diretas e os vocais furiosos de João Gordo, “Brasil” precisa de apenas 30 minutos para se manter como um raio-x eternamente atualizado de um país cujo futuro parece nunca chegar.

NIRVANA, “BLEACH”
O Nirvana conquistou o mundo e deu um pontapé nos traseiros de Michael Jackson e Guns N’ Roses com “Nevermind”, mas já merecia ter seu lugar ao sol dois anos antes de seu trabalho mais famoso. Com produção de Jack Endino e a um custo de ridículos 606 dólares, “Bleach” apresentava a identidade que fez do trio – ainda com Chad Channing na bateria – a banda de rock mais importante do início dos anos 90: as letras angustiadas de Kurt Cobain, rock pesado e sujo emoldurado por um apelo pop irresistível, típico de quem sempre se declarou influenciado pelos Pixies.

Músicas como “About a girl”, “Love buzz”, “Negative creep”, “Mr. Moustache”, “Blew” e “School” estão entre as melhores do Nirvana e mais que justificam a profética frase do dono da gravadora Sub Pop, Bruce Pavitt, que saiu por aqui na edição de junho de 1990 da extinta revista “Bizz” numa matéria sobre um bagulho então desconhecido chamado grunge: “esses caras vão nos enriquecer”.

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MINISTRY, “THE MIND IS A TERRIBLE THING TO TASTE”
Beeeeeeem distante dos seus primeiros anos de carreira, em que se arriscava no synth pop sem resultados relevantes, Al Jourgensen arrebentou todas as portas da música bem comportada no quarto álbum do Ministry, o segundo de uma longa e bem-sucedida parceria com o baixista Paul Barker. Se “The Land of Rape and Honey” (1988) já dava sinais de que o termo “metal industrial” tinha razão de existir, “The mind is a terrible thing to taste” era o atestado definitivo de que a fusão da guitarra do thrash metal com bateria eletrônica fazia todo sentido, seguindo em paralelo ao que o Young Gods gravava lá pelas bandas da Europa.

Com letras abordando corrupção política, violência, guerra, drogas e outros assuntos comuns ao universo do metal extremo, o disco tem clássicos como “Breathe”, “Thieves” e “Burning inside”. É para ouvir no bom e velho volume máximo.

SOUL II SOUL, “CLUB CLASSICS VOL. ONE”
O álbum de estreia dos ingleses do Soul II Soul é daquelas coisas que chegam aos ouvidos de forma suave e dançante até hoje, prova de que a soul music não só pode se adaptar aos novos tempos como é atemporal em suas atualizações. Basta estar nas mãos de gente talentosa como Jazzie B.

“Club Classics Vol. One” é mais conhecido pelos hits globais “Keep on movin'” e “Back to life”, mas tem muitos outros biscoitos finos em seus 44 minutos de duração. Para quem ainda gosta de ouvir um disco do início ao fim, ele mantém a elegância e o suingue em faixas como “Fairplay”, “African dance”, “Feel free” e “Holdin’ on”, entre outras.

Aliás, qualquer semelhança com a fábrica dançante que era o Chic não é mera coincidência, muito menos cópia descarada. São apenas boas influências para um álbum até hoje essencial.

ELVIS COSTELLO, “SPIKE”
Por favor, ignorem a capa horrível, pavorosa e assustadora de “Spike”. Atrás dessa aberração está um dos melhores trabalhos do inglês Declan MacManus, que desde os anos 70 faz do mundo um lugar melhor sob o nome artístico de Elvis Costello, com o qual transitou pelo rock, nem wave, pop, música erudita e 24 territórios a sua escolha.

Com produção do próprio cantor e compositor, mais Kevin Killen & T Bone Burnett, “Spike” reúne rock, pop, baladas, pinceladas de jazz, folk e outras bossas num total de 15 canções. O álbum trazia, ainda, duas das primeiras parcerias de Costello com sir Paul McCartney, o hit “Veronica” e “Pads, paws and claws”. Outros destaques vão para “Baby plays around”, “God’s comic”, “…This town…” e “Tramp the dirt down”, que mostram o quanto Elvis Costello merece a alcunha de “enciclopédia da música pop”.

Júlio Black

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