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No segundo semestre, o que teremos pela frente?

Por Jose Anisio Pitico

09/08/2019 às 06h43 - Atualizada 08/08/2019 às 20h59

Férias escolares vencidas. Viagens familiares realizadas. Alguns colegas profissionais retornam ao trabalho. Chega o mês de agosto. Temos mais um semestre pela frente. Nosso trabalho social com as pessoas idosas não para. Na verdade, há muito o que se fazer, notadamente para as pessoas idosas dependentes que apresentam autonomia comprometida, com independência funcional bem limitada para a gestão de suas atividades de vida diária. Precisam de alguém de casa ou contratar serviços de cuidadores de idosos. Sozinhas, essas pessoas idosas não dão conta de se alimentar. Fazer higiene pessoal. Pentear o cabelo. Sair de casa.

Socialmente limitadas, estão emocionalmente restritas às lembranças de uma memória que já não atende mais aos seus desejos de vida. E nem a de seus familiares. A chama da vela vai lentamente perdendo o brilho, perdendo a luz, até apagar. É muito triste, em vida, despedir de um ente querido de nossa casa. É triste sim, mas ao mesmo tempo é muito humano, porque essa realidade oferece uma sensação de liberdade. Não, por ficarmos livres pela morte do familiar, mas, principalmente, pelo poder de empatia e compaixão que desperta em quem cuida e em quem convive com essa situação de precariedade de saúde há muito tempo.

A cidade de Juiz de Fora ainda não dispõe de um programa social que apoie as famílias cuidadoras de pessoas idosas com algum tipo de demência. Não temos atividades sociais e de saúde que possibilitem o encontro de cuidadores de idosos para a troca de experiências, medos, ansiedades e possibilidade que o cuidado a essas pessoas despertam no cotidiano prático e emocional. O cuidado é muito solitário, mesmo no meio familiar. Eu vivo essa experiência em casa e sinto falta de ter com quem trocar minhas angústias e sofrimentos. Essa coluna não deixa de me ajudar na exposição do meu cotidiano pessoal de quem também, em maior ou menor proporção, também é um cuidador de idoso, além da experiência gerontológica pelo trabalho social ao qual estou vinculado pela Prefeitura.

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No primeiro semestre desse ano, cumprimos bem a realização do nosso calendário temático de ações destinadas às pessoas idosas: no Dia Municipal da Pessoa Idosa, 9 de maio, pela legislação municipal; e nas atividades de conscientização do Dia Mundial de Violência contra a Pessoa Idosa, 15 de junho. Esses e todos os outros eventos buscam sensibilizar a cidade para as questões do seu envelhecimento. Juiz de Fora é uma cidade de muitas pessoas idosas! São mais de 95 mil pessoas com 60 anos ou mais. O município precisa avançar na preparação e entrega de seus equipamentos, serviços, programas e políticas para se tornar, de fato, uma cidade amiga da pessoa idosa.

Estamos bem, se comparados com outros municípios mineiros e outros estados. Mas temos que avançar. E, é nessa direção que, para o segundo semestre, temos traçado algumas proposições de trabalho, deliberadas por leis municipais e no coletivo de atores sociais que atuam com o público idoso. Destaco, entre outros, a realização da primeira edição do Troféu Zeneida Theresinha Delgado, em outubro, em memória de uma das principais autoridades técnicas no trabalho de assistência social às pessoas idosas, a quem tenho uma dívida de gratidão muito grande. Lembrando que 1º de outubro é consagrado ao Dia Internacional da Pessoa Idosa. Num país tão pobre de reconhecimento social, a quem muito faz por ele e principalmente para as pessoas em desvantagem social e econômica, iniciativas como essas, são louváveis na preservação de sua história.

Um outro evento necessário que se apresenta é chamar a atenção da sociedade sobre a existência de um equipamento público de saúde para o segmento idoso da cidade, que é Departamento de Saúde do Idoso da Secretaria de Saúde da Prefeitura, que no dia 20 de dezembro, completa 20 anos de existência. Há muito o que se comemorar. Principalmente na resistência política para os tempos atuais de privação e retirada de direitos sociais da população. Não podemos retroceder. A esperança é nossa concepção de futuro (Sartre).

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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