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Sonhos não envelhecem!

Por Jose Anisio Pitico

12/07/2019 às 07h10 - Atualizada 11/07/2019 às 20h19

No dia 26 de junho, li na Tribuna, a matéria do genial Mauro Morais, que me proporcionou outras ideias. O conteúdo foi sobre a conquista e a superação do seu Manoel Bernardino, que, aos 91 anos de idade, lançou seu livro: “Em busca dos sonhos perdidos”, que reúne 103 poemas sobre as fases de vida de seu autor, que foi aluno do Centro de Ensino Supletivo Custódio Furtado de Souza, no Bairro Teixeiras.

Dirigida pela diretora professora Rosangela da Silva Campos de Paula e pelos outros vices-diretores professora Marta Britto e professor Sérgio Oscar, a escola do Bairro Teixeiras foi notícia na mídia local com alcance fora do município. Quando li, fiquei muito emocionado. Tirei xerox da reportagem do Mauro e distribui para os meus colegas de trabalho. E coloquei no mural – quadro – próximo ao local de marcação de consultas para a vista das pessoas idosas que fazem tratamento médico no meu local de trabalho. Depois, à noite, vi a matéria na TV. Que bacana!

Essa matéria me mobilizou muito emocionalmente e acredito que a muita gente também, porque o exemplo do seu Manoel não deixa dúvida: sonhos não envelhecem. Ele, com mais de 90 anos, muito vivo da silva, realizou o seu sonho e disse no telejornal que, enquanto tiver vontade, tem vida para realizar outros sonhos. Impressionante.

Que lição de vida, seu Manoel, o senhor nos dá, heim?! O seu comportamento me fez pensar sobre o meu futuro. O futuro dos meus amigos e das minhas amigas. O futuro da minha família. O senhor derrubou tantos mitos, tantos preconceitos. E venceu. O senhor é um vencedor, seu Manoel! Principalmente no enfrentamento ao lugar comum estabelecido na sociedade, de que, quem tem já uma certa idade, e o senhor, certamente, tem todas, não tem com o que se preocupar para o futuro: a não ser esperar a morte chegar. Nada disso. O senhor foi atrás do seu sonho que é estudar. Formar.

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A história de vida do senhor me tocou a alma e acredito que há muitos leitores e internautas também, porque eu tenho essa mesma situação dentro de casa: minha mãe queria ser professora primária. Esse é (era) o grande sonho dela. Não conseguiu realizar. Embora esteja com os seus mais de 70 anos, encaminhou-se para outras direções na vida. Mas, ela fez de mim e do meu irmão duas pessoas com curso superior da nossa querida e amada Universidade Federal de Juiz de Fora. Esse orgulho ninguém tira da gente.

E o que somos devemos à nossa mãe. Para o meu epitáfio, eu escolho a seguinte frase: “o estudo é a luz da vida”. Mantra de autoria da Dona Lúcia, para sempre gravado na minha memória. Foi o que me salvou na vida, seu Manoel. O estudo. Quantos amigos e amigas se perderam no meio do caminho. Desviaram da rota da educação. Ou foram desviados pelas forças materiais da sobrevivência humana ou por outros caminhos. Como o senhor, também me considero um vencedor. Graças à Deus.

Na trilha do cantor Belchior, afirmo que não tenho dinheiro no banco e nem parentes importantes. Sou do interior e trago no peito uma lição para sempre assimilada: quer ser alguém, estude. Ou você poderá ter dificuldades para responder a esse inquérito juvenil, mais tarde: o que você vai ser quando crescer? No estudo, eu descubro o mundo. Eu olho para dentro e sigo em frente.O que o seu Manoel fez é ultrapassar as amarras da sociedade. Uma sociedade doente. Deu um tapa de luva naqueles que acham, e infelizmente, são muitos; que a velhice é o fim de linha para a realização de nossos sonhos. Que as pessoas idosas não tem mais tempo.

Como assim? O tempo da vida é diferente do tempo de vida de cada pessoa, independente da idade dela. Por menores que sejam, sonhos não morrem. Não podemos deixar que eles morram em nós. E aqui eu não falo utilizando palavras desgastadas em nome de motivações emocionais que visam a vender livros, eu escrevo para mim mesmo e afirmo, eu quero sonhar. E quem me deu essa condição para sonhar foi a educação. Educação pública, diga-se de passagem. E com muito orgulho. Eu sou aluno egresso de escola pública, desde criança até a pós-graduação. Sou muito grato à coletividade, ao público que me constituiu como cidadão.

Eu tenho planos para a minha vida. É preciso encontrar um propósito para a nossa vida. Qual é a história que eu quero construir? O meu legado. Só a educação ou os estudos, como prefere dizer minha mãe, pode nos direcionar para a realização de nossos sonhos. Há muito tempo que o seu Manoel Bernardino já sabia disso. Parabéns, guerreiro!

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941

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