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Obrigado, Toledo

Por Bruno Kaehler

15/08/2019 às 07h00 - Atualizada 15/08/2019 às 07h08

Era uma manhã de sol e poucas nuvens de 2011. Ainda graduando em jornalismo e quase nada conhecedor da história do esporte juiz-forano, chegava ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio para me apresentar ao maior ídolo da centenária história carijó, quem eu entrevistaria minutos depois.

Moacyr Toledo me recebeu com um aperto de mão, um sorriso e uma educação que raramente vejo no mundo do futebol. Se colocou à disposição no que fosse necessário antes mesmo de eu iniciar o que, na minha memória, foi a primeira entrevista no caminho do jornalismo esportivo. Mal sabia que poucos minutos da sua valiosa atenção já recompensariam a minha semana.

Me tratou como se eu fosse um ícone do jornalismo, mesmo sabendo que a estrela era ele. “Posso tirar uma foto do senhor no gramado?”, questionei, prontamente atendido. Sem olhar para a câmera, como também lhe era peculiar, se posicionou, com as mãos no bolso da calça, para o registro.

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Era o primeiro semestre de 2014. Repórter do Portal Toque de Bola, chegava ao Estádio Municipal para um treino do Tupi. O ‘senhor Toledo’ – que esbanjava saúde e boa memória – me recebeu com o aperto de mão, o sorriso e a educação de sempre. Assim ocorreu em 2016, já na Tribuna, e tendo criado uma liberdade maior para as brincadeiras e perguntas sobre nossas famílias, assim como o acompanhamento da carreira de seu neto, Raphael, tema, aliás, de nossa última conversa, no saguão do Estádio, há poucas semanas.

No mundo da bola, muito marcado ainda por preconceitos, desrespeitos e julgamentos, Toledo foi exceção. Coloriu de preto e branco o Salles Oliveira, o Estádio Municipal e onde mais passou. Só trocava o alvinegro, rapidamente, pelas cores da bandeira da cidade. Em 2017, durante especial matéria feita para homenagear a família Toledo, o mais experiente deles, entre o filho Paulo Henrique, e os netos Raphael e Pedro, exaltou a valorização de suas raízes.

“Você pode rodar o mundo todo, mas igual Juiz de Fora acho que não tem. Queria que eles [familiares] continuassem, estão continuando. A vida é assim, vai dando sequência. Comecei assim e eles estão me seguindo. Sinceramente, o que quero é que torçam pelo Tupi sempre e para Juiz de Fora, porque torno a falar, igual essa cidade, não tem.”

Não só isto, Toledo. Igual ao senhor, não tem.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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