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Com Jesus, Gabigol é oito mais 80

Por Bruno Kaehler

18/09/2019 às 07h06 - Atualizada 18/09/2019 às 07h07

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O gol de Gabriel Barbosa, que definiu a vitória do Flamengo sobre o Santos no último sábado (14), além do título simbólico do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, não é feito por qualquer jogador. Óbvio. A qualidade técnica do atacante rubro-negro, sobretudo nas finalizações, é inquestionável. Artilheiro máximo desta Série A com 16 tentos em apenas um turno, Gabigol tem mostrado virtudes que a Europa aparentemente não soube aproveitar.

Que ele está muito acima da média quanto ao nível técnico apresentado pelos companheiros de posição em seu país, é quase desnecessário frisar. E precisa ser convocado para a Seleção Brasileira por dois motivos. O primeiro deles é a meritocracia. Ele precisa ser premiado com a chance no escrete canário. Mas o ponto que gostaria de abordar envolve o segundo fator que o faz merecer estar com a camisa canarinha. Gabigol precisa se apresentar em alto nível físico e mental diante de outras ideias de jogo – neste caso, as de Tite.

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Enquanto o treinador do Flamengo arma suas equipes em linha alta com volume ofensivo invejável, o da Seleção organiza seus times a partir de um sistema defensivo consistente. As ideias de jogo de Jorge Jesus parecem ter sido criadas para o futebol de Gabigol. Não é um camisa 9 clássico, nem um extremo tradicional. Se destaca justamente no equilíbrio, na movimentação no último terço de campo e no capacitado leque de finalização das jogadas.

E repito. É extremamente beneficiado pela produção ofensiva de sua equipe, baseada na intensidade de movimentação e troca de passes pedida por Jesus, criando, diversas vezes, superioridade numérica ou mesmo o um contra um.

Em tempo: sua infantilidade o atrapalha em campo. Faz birra, busca apitar o jogo e perde o foco naquilo que mais importa e que melhor sabe fazer. Se é assim no dia a dia, certamente o prejudicou na Europa, mas que seja parte do processo de maturação, afinal tem apenas 23 anos. Já provocar e ser provocado faz parte do futebol e torço para que ele siga com esta característica. Certo é que, com Jorge Jesus, e ao torcedor flamenguista, Gabriel não é oito ou 80. É oito mais 80.

Bruno Kaehler

Bruno Kaehler

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