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O que deve ser analisado na hora de escolher o terreno

Localização, topografia, tipo de solo e outras características podem impactar no custo e no projeto da obra

Por Gracielle Nocelli

13/09/2018 às 07h00- Atualizada 13/09/2018 às 13h24

A escolha certa do terreno é um passo fundamental para o sucesso de qualquer obra. Algumas características do imóvel são determinantes para o tipo de edificação que será realizado e, também, podem influenciar diretamente nos custos. Quem deseja construir pode encontrar dificuldades para fazer esta escolha de forma assertiva, afinal, são vários aspectos que devem ser observados, e alguns são bastante técnicos.

A localização do terreno é a primeira característica a ser analisada. “Quando se compra para investir, é preciso pensar no potencial de valorização, o que está diretamente relacionado com a infraestrutura do local onde o terreno está inserido”, observa a arquiteta e urbanista Ana Carolina Gamarano. “Isto também vale para quem quer construir a casa própria, embora esta segunda situação exija ainda maior riqueza de detalhes sobre o imóvel.”

O engenheiro civil Arthur Paiva destaca a vantagem de buscar terrenos em locais que já tenham uma infraestrutura estabelecida. “Isto afeta diretamente na venda da edificação. Nós temos exemplos de regiões que valorizaram muito com o passar do tempo, a partir do momento em que esta infraestrutura foi sendo criada. Este é o caso do Bairro São Pedro, onde há 15, 20 anos, os terrenos eram muito mais baratos.”

Além da rede de comércio e serviços, os especialistas orientam que é preciso observar questões como sistema de saneamento, captação de lixo, asfaltamento e calçadas e oferta de transporte público.

Custo-benefício

Arthur explica que a localização impacta diretamente no preço do terreno, outro aspecto que também deve ser considerado no processo de escolha. “A questão econômica é muito importante. No entanto, não adianta comprar um imóvel barato e ser num lugar ermo, com solo ruim e que não irá possibilitar a construção da edificação ou do loteamento.”

Neste sentido, além do auxílio do profissional de arquitetura e engenharia, o comprador pode recorrer ao corretor de imóveis. “Em conjunto, eles poderão avaliar o custo-benefício”, diz Ana Carolina. Ela esclarece que terrenos em declive costumam ter um custo menor do que os planos, porém exigem fazer movimentações de terra, aterros e estruturas de contenção e de drenagem, custos que acabam encarecendo a obra.

“Não adianta comprar um imóvel barato e ser num lugar ermo, com solo ruim e que não irá possibilitar a construção da edificação ou do loteamento”

(Arthur Paiva Engenheiro civil)

 

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A relevância do tipo de solo

É também com o auxílio do profissional que o consumidor poderá identificar o tipo de solo do terreno. A informação é capaz de gerar grandes impactos na construção. A farmacêutica Nathália Alves conta que quando começou a procurar onde construir a casa própria se surpreendeu. “A arquiteta me explicou que a resistência do solo interfere no tipo de fundação a ser usada para garantir a segurança da casa. Além disso, o próprio projeto arquitetônico pode ser modificado dependendo do tipo de solo do terreno. Todas essas diferenças ainda impactam no custo da obra. São questões extremamente relevantes, mas quem é leigo, como eu, não consegue identificar.”

O engenheiro Arthur Paiva alerta que o conhecimento sobre o tipo de solo é essencial. “Pode ser uma informação mais complicada para o comprador conseguir, mas é necessária. Um terreno em que o solo tem muita pedra pode exigir uma fundação mais cara, já o solo com mais água oferece maior risco de infiltração”, exemplifica.

Para ter sol o ano inteiro

Ter um imóvel que é ventilado e bate sol na medida certa não é questão de sorte, mas de planejamento. Estas também são características a serem observadas na hora de escolher o terreno. “Aqui no Brasil, a face Norte é a que mais recebe insolação durante o dia e terrenos com a frente nesta direção são mais valorizados”, afirma a arquiteta e urbanista Ana Carolina Gamarano.

“A legislação urbanística e as normas do regimento dos condomínios devem ser seguidas como padrões para construção e uso. Por isso, é preciso ter certeza de que poderá segui-las antes mesmo de fechar o negócio”

Ana Carolina Gamarano Arquiteta e urbanista

Ela dá a dica para que o consumidor repare se a edificação do vizinho não faz sombra no terreno, em especial em áreas que precisam de sol como a piscina. “O arquiteto pode avaliar alguns pontos que o cliente, muitas vezes, não considera. Ele pode identificar a insolação e a ventilação, se a estrutura para a edificação vai precisar de um grande investimento, se é possível naquele local construir tudo o que o cliente sonha.”

Um empresário que preferiu não se identificar conta que decidiu colocar a casa que construiu à venda depois que o vizinho fez uma edificação que sombreou a área externa. “Parece uma coisa boba, mas me chateou muito. Minha família já tinha o costume de se reunir no espaço se aquecendo com o solzinho. Era o nosso canto favorito da casa”, conta. “Não sei se o problema foi erro no nosso projeto ou se a edificação do vizinho estava errada, mas independente de culpados, a sombra foi uma intrusa que nos incomodou.”

Escolha da vizinhança: residencial, comercial ou mista?

Avaliar o entorno do terreno é necessário não só para identificar os aspectos positivos da infraestrutura local, mas também para se precaver sobre possíveis problemas. É importante observar o uso dos imóveis em volta. “Verificar se há bares, casas de festas, lojas, indústrias, prédios residenciais”, enumera Ana Carolina. “Se não tiver nada que possa incomodar hoje, vale olhar a legislação municipal para saber se é possível que se tenha algum uso que possa vir a incomodar futuramente. É importante saber se o bairro é residencial, comercial ou misto.”

A arquiteta atenta sobre as orientações legais. “A legislação urbanística da cidade e as normas do regimento dos condomínios devem ser seguidas como padrões para construção e uso. Por isso, é preciso ter certeza de que poderá segui-las antes mesmo de fechar o negócio para a compra do terreno.”

 Evite dores de cabeça com imóvel irregular

O engenheiro civil Arthur Paiva destaca a importância do comprador verificar se o terreno que vai adquirir é regularizado. “É preciso exigir escritura, certidões negativas e toda a documentação para evitar futuras dores de cabeça.” A documentação que comprova a regularização possibilita o financiamento da compra junto aos bancos públicos, e garante ao futuro proprietário maior segurança.

Após a compra, desenvolva o projeto

Antes mesmo de comprar o terreno é interessante o comprador ter em mente a edificação que ele deseja. “É interessante conversar com o arquiteto para que o profissional tenha uma noção do que o terreno precisa abrigar e para que ele auxilie melhor na escolha”, informa a arquiteta e urbanista Ana Carolina Gamarano. “O projeto considera as características do terreno como dimensões, formato e tipo de solo, insolação, ventilação, custo, regras do condomínio, legislação urbana e necessidades dos moradores. Por isso, deve ser realizado somente após a escolha do terreno.”

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