Tópicos em alta: polícia / chuva / crise fiscal

Artistas abrem mostra criada a partir da palavra ‘horizonte’

Exposição “Aos fios entreguei o horizonte”, com curadoria da prestigiada Marisa Flórido, apresenta múltiplo e complexo retrato da arte contemporânea

Por Mauro Morais

20/09/2018 às 22h00- Atualizada 21/09/2018 às 07h23

refúgio.1
<
>
Pinturas da série "Refugees", de Osvaldo Carvalho, integram exposição que comemora 16 anos de galeria em São Mateus (Fotos: Divulgação)

Marisa Flórido César entregou à artista Ana Tereza Prado Lopes a palavra “horizonte”. Ana Tereza passou a palavra “linha” para Cláudia Lyrio, que passou “borda” para Denise Calasans, que entregou “ponte” para Bete Esteves, que ofertou “arco-íris” para Osvaldo Carvalho, que pensou em “esperança”, ainda não entregue. Marisa também sugeriu “horizonte” para Fernanda Leme, que deu “água” à Mercedes Lachmann, que deu “vento” para Roberta Paiva, que deu “marés” para Maria Fernanda Lucena, que passou “gravidade” para Duda Las Casas, que deixou “órbita” a espera de um novo artista. Marisa repassou, ainda, “horizonte” para Talita Tunala, que criou “voo” para Ana Vitória Mussi, que deu “nuvem” à Sonia Andrade, que entregou “sombra” para Chang Chi Chai, que passou “aurora” para Maria Andrea Trujilio Mainieri, que pensou em “despertar”, à espera do artista que irá assumi-la. Por fim, Marisa ofereceu “horizonte” para Adolfo Montejo Navas, que passou “cabeçalho” a Mauro Espíndola, que deu “anoitecer” para Celina Almeida Neves, que passou “verdade” à Júlio, que entregou “autorretrato” para Beanka Mariz, que deixou no ar “narciso”.

Em “Aos fios entreguei o horizonte”, exposição que a Hiato – Ambiente de Arte inaugura neste sexta, 21, às 20h, a palavra “horizonte” é o ponte de partida para a criação de paisagens de relações entre o imprevisível e o improvável. “É um processo aberto. Minha seleção foi só dos quatro primeiros artistas. Dei uma palavra para eles, que foi ‘horizonte’, e eles fizeram um trabalho relativo a essa palavra. Depois, cada um pensou numa outra palavra relativa a horizonte e deu para outros. Assim foi com os 16 da primeira exposição no Rio de Janeiro. E agora foram mais quatro convidados. A exposição tem uma relação com o texto, que em latim significa ‘tecer’. Vamos tecendo horizontes abertos, um tecido lúdico, muito parecido com um poema de João Cabral de Melo Neto”, diz a elogiada curadora da mostra Marisa Flórido Cesar, referindo-se a “Tecendo a manhã”, no qual Cabral reflete: “Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos”.

Montada pela primeira vez na Galeria Solar dos Meninos de Luz, na capital fluminense, a exposição revela fugas inesperadas e encontros lúdicos e delicados. “Naturalmente foram sendo feitas relações transversais. Fomos montando uma série de relações e eu não tive controle sobre isso. Entreguei uma palavra-imagem disparadora e fomos formando proximidades variadas em cada conjunto. Minha criação é o jogo, que criei e iniciei”, indica Marisa, que no espaço expositivo elabora novas influências e propõe inúmeros outros atravessamentos que surgem a partir de cada individual leitura. “Esses cruzamentos é que são bonitos, essas outras relações”, comenta a curadora, crítica de arte e autora de “Nós, o outro, o distante na arte contemporânea brasileira” (Editora Circuito), obra na qual investiga a geografia atual, em suas raízes e novos frutos.

O conteúdo continua após o anúncio
Obra de Cláudia Lyrio (Fotos: Divulgação)

Intercâmbios atuais

A grande teia de significações e ressignificação que ocupa o cubo branco passa pela potência da criatividade humana e, sobretudo, pelo poder de criação de universos próprio das artes. De posse do termo “arco-íris”, por exemplo, Osvaldo Carvalho pinta emocionantes três coloridas cenas de refugiados em mar aberto, arriscando-se em busca de novos significados para as próprias vidas. De sua leitura particular, o artista extrai a palavra “esperança” e conforma um horizonte no qual expressa toda a força da arte em transmutar realidades. Mostra em comemoração aos 16 anos da Hiato, “Aos fios entreguei o horizonte” serve, também, como retrato de uma casa que se propôs a explorar o contemporâneo em suas diferentes facetas. “Tem bastante diversidade de linguagens, técnicas, como pintura, instalação, vídeos. É interessante fazer esse intercâmbio com o Rio de Janeiro. E esse trânsito reflete nosso compromisso em reafirmar a arte contemporânea em Juiz de Fora”, comenta o coordenador da galeria, José Augusto Petrillo, para logo concluir a complexidade do trabalho que Marisa Flórido César propõe, ao compartilhar com artistas e espectadores a curadoria de horizontes infinitos e particulares: “Não é somente o olhar dela, mas também dos artistas, que vão se acoplando a essa curadoria”.

AOS FIOS ENTREGUEI O HORIZONTE
Exposição coletiva com curadoria de Marisa Flórido. Abertura nesta sexta, 21, às 20h. Visitação de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h ás 18h, aos sábados, das 9h ás 13h, até 13 de outubro, na Hiato – Ambiente de Arte (Rua Coronel Barros 38 – São Mateus)

 

Tópicos: arte

Receba nossa
Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail



Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia