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This is Sparta!

Por Airton Soares

23/01/2020 às 19h09

Bar Sparta, no final da Rua São Mateus, mantém a tradição boemia do bairro há mais de 70 anos

Antigo balcão e piso foram trocados recentemente

A dica veio pelo amigo José Luiz Britto Bastos que, assim como eu, fala na Rádio CBN nas manhãs de quinta-feira: ele é o apresentador do programa Trânsito Legal, que vai ao ar pouco depois do meu Papo de Buteco. Segundo ele, o endereço sempre foi ocupado por um botequim, variando somente o nome, e de lá ele guarda memórias de infância, que contou-me num belo texto, com o relato da história do lugar, seu público, comes e bebes e características desse tradicional boteco.

O bar fica na rua São Mateus, entre as Ruas Engenheiro Bicalho e Antonio Passarela. Consta que foram portugueses que começaram o negócio, sob nome Bar Santa Cruz. Como nas tascas de Portugal, por aqui petiscos como a sardinha frita faziam sucesso entre os frequentadores daquela época. Passaram os anos e foram sucedendo-se à frente do bar outros donos que mantiveram a tradição do ponto e enraizaram ali a mais autêntica tradição botequeira. O ponto de encontro de gente que gosta de tomar uma cerveja gelada e um bom tira gosto se mantém, alheio a modernidade. Por lá já passaram até os bondes, e hoje a movimentada rua não incomoda a quem se refugia naquele espaço para um bom bate papo e para relaxar durante o dia.

Cabe dizer que o nome atual, Sparta, não tem qualquer referência ao filme 300, em que o brasileiro Rodrigo Santoro protagonizou o vilão Xerxes. Aliás, 300 por lá são os troféus conquistados pelo time de futebol que, esse sim, tem “culpa” pelo nome do espaço. O Sparta jogou pelos campos de Juiz de Fora por muitos anos, acumulando as taças que hoje enfeitam as paredes do bar, e dali fez sua concentração, local de comemorações, CT e quase um alojamento dos jogadores. Justíssimo o nome do bar homenagear a tantos craques de bola, e de copo.

Edson se encarrega de encher a estufa e os copos

E para encher os copos e taças da clientela, por ali a cerveja é sempre gelada e muito bem acompanhada. Uma estufa é preenchida toda manhã e vai se renovando durante todo o dia pelas mãos do atual proprietário, o Edson Luiz Almeida. Ele capricha nos petiscos, e nunca falta um pastelzinho logo cedo para quem aparece para o café. Na minha última visita, experimentei o peito de boi com batatas coradas e estava perfeito. Torresmo, frango frito, linguiça e jiló cozido eram opções nesse mesmo dia, todos se exibindo na estufa que fica junto ao balcão. Além dessas iguarias, podem surgir por lá um fígado de boi acebolado, preparado na hora pelo Edson, e tantos outros tira-gostos que vão se alternando na estufa e nos pedidos dos clientes, com menção honrosa ao croquete de carne ou de bacalhau, preparado pelas hábeis da mãos da dona Luiza, mãe do proprietário. Para ajudar nesse passa-tempo, uma mesa de sinuca fica no “escritório”, aquele espaço no fundo do bar, separado por uma divisória, em que os mais antigos se reúnem aproveitando a extensão do balcão, uma única mesa e onde também ficam os banheiros do lugar.

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Fachada do buteco
A mesa de sinuca no “escritório”, espaço no fundo do bar

O bar recebe seus clientes mais tradicionais de 7 da manhã até as 23 horas. Com um horário tão amplo, aparece por lá gente voltando da balada procurando pela saideira, como me relatou o amigo Mateus Casadio, morador da região e outro grande entendedor de botecos. Mas a grande dica pra se integrar nesse ambiente tão tradicional é simples: chegar sem baderna, pedir sua cerveja e seu tira gosto e, com o tempo, o balcão se encarrega de fazer a magia acontecer, levando todo mundo a um bom bate papo que, para nossa alegria, acontece por ali há tanto tempo e vai durar ainda mais, quem sabe uns 300 anos.

 

Bar Sparta

Rua São Mateus, 972 – tel 3232-1214

Diariamente, de 07 às 23 horas

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